SAIBA O QUE É
PRECISO PARA DOAR

  • Não usar medicamentos
    incompatíveis com a
    amamentação.
  • Estar amamentando ou
    ordenhando leite para o
    próprio filho.
  • Em caso de não ter feito o
    pré-natal, realizar exames
    específicos.
  • Ser saudável.
  • Não usar
    álcool nem
    drogas ilícitas.
  • Apresentar exames
    pré ou pós-natal
    compatíveis com
    a doação de leite
    ordenhado.

PRESENTE SAUDÁVEL,
FUTURO SUSTENTÁVEL.

Para a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2016, que acontece de 01/08 a 07/08,a Waba focou na amamentação como chave para o desenvolvimento sustentável e propõe que as relações entre os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), o aleitamento materno e a Estratégia Global para Alimentação de Lactentes e Criança de Primeira Infância sejam realçadas. No Brasil, o mês inteiro é dedicado às ações pró-amamentação e por isso, "Agosto é Dourado". O DF terá várias ações na semana confira a programação completa aqui. Saiba mais sobre amamentação e aleitamento materno aqui.

14 PASSOS
PARA DOAR

Muitas mamães têm dúvidas sobre como são feitas a doação e a coleta do leite
materno, mas o procedimento é muito mais simples do que imaginam!

Confira o passo a passo:

  • 1. Procure tirar o leite em um lugar limpo e tranquilo da casa.
  • 2. Use potes de vidro com tampa plástica.
  • 3. Ferva os potes por 15 minutos e deixe que sequem sobre um pano limpo.
  • 4. Use uma touca ou um lenço na cabeça.
  • 5. Coloque uma máscara ou amarre uma fralda sobre o nariz e a boca.
  • 6. Lave as mãos e os braços até o cotovelo com bastante água e sabão.
  • 7. Lave as mamas apenas com água.
  • 8. Seque as mamas e as mãos com um pano limpo.
  • 9. Massageie os seios com a ponta dos dedos, com movimentos circulares, e inicie a coleta diretamente no pote.
  • 10. Encha o pote até faltarem dois dedos para completá-lo e, caso seja necessário, recomece uma nova coleta em outro pote higienizado.
  • 11. Identifique o pote com seu nome e a data em que retirou o leite pela primeira vez. Para completar um pote que já está no congelador, faça a coleta em um copo de vidro e depois despeje no pote.
  • 12. O leite pode ficar até 10 dias no congelador ou no freezer.
  • 13. Para agendar a coleta, ligue no número 160, opção 4.
  • 14. O Corpo de Bombeiros buscará a doação em sua casa!

Viu como é fácil? Seja uma mãezona, faça a sua doação e diga com muito orgulho: eu divido meu leite!

Se for a sua primeira doação ou você estiver precisando, solicite
o kit com o potinho vidro, uma touca e uma máscara
para usar
durante a coleta. Os bombeiros levarão até a sua casa ou você
poderá pegar num Banco de Leite Humano mais perto.

MITOS E
VERDADES

 

A doação pode
interferir na
amamentação
do filho?

MITO

Pelo contrário. A verdade é que, quanto mais a mãe estimular a produção do leite, mais ela o terá. A ordenha para doação é uma forma de estímulo e, dessa forma, não faltará para o bebê.
O leite materno
pode ser
congelado?

VERDADE

O leite materno pode ser congelado por até 15 dias sem a perda de suas características e qualidade nutricional. Dessa forma, a mãe pode ordenhar o leite em casa, tomando os devidos cuidados para isso, e deixá-lo no congelador. Dessa mesma forma, a mãe pode doá-lo para um Banco de Leite Humano (BLH). No caso da doação, o prazo é de 10 dias.
O leite
industrializado
é quase como o
leite materno?

MITO

O leite materno é singular. Tanto que o colostro, que sai na primeira mamada, pode ser considerado a primeira vacina do bebê. O leite materno é um alimento especialmente personalizado para cada momento da vida de um bebê.
A alimentação
da mãe reflete
no leite?

VERDADE

Por isso, o recomendado é que a mãe tenha uma alimentação saudável. A variedade dos alimentos é igualmente importante. Ela também não deve ingerir bebida alcoólica.
Algumas mães
produzem leite
mais fraco?

MITO

Nenhum leite materno é fraco, nem o de uma mulher desnutrida. A qualidade do leite da mulher desnutrida é tão boa quanto a do de uma mulher nutrida. O fato é que o bebê acorda mais rápido quando toma o leite materno porque a sua digestão é mais rápida e atendendo as necessidades da criança.
Mamadeira e
chupeta
interferem no
aleitamento?

VERDADE

A sucção do leite no peito promove o desenvolvimento adequado da musculatura e das estruturas ósseas da face da criança. A sucção no peito mantem a produção do leite materno. O uso dos utensílias citados pode implicar na diminuição do estímulo da produção do leite e, consequentemente, o abandono do aleitamento materno pela criança.
Estresse e
nervosismo
podem atrapalhar
a produção
do leite?

VERDADE

Em situações assim, a mãe tem o sistema endócrino-imunológico modificado e, com isso, a quantidade de leite produzido pode diminuir. O recomendado é que a mãe descanse sempre que possível. Para isto a mãe precisa de uma rede de apoio, tal como família, amigos e sociedade.
Compressa de
água quente
ajuda com o leite
empedrado?

MITO

Na verdade, a compressa de água quente piora a situação, pois aumenta a quantidade de leite retido na mama. O empedramento acontece quando o volume de leite é maior do que o bebê necessita. Nesse caso, a indicação é massagem e extração do leite, o qual pode ser doado a um BLH. O uso de compressa pode promover queimaduras na mama da mulher.

BANCOS DE
LEITE DO DF

  • Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB)abrir

    61-3445-7597 Avenida L2 Sul Quadra 608 Modulo A SGAS, s/n , Asa Sul-Brasilia - CEP: 70203-900 blhhras@gmail.com Asa Sul, Lago Sul, Candangolandia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo I e II e Park Way.
  • Hospital Regional de Santa Maria (HRSM)abrir

    61-3392-6287 Santa Maria, Quadra AC , 102 , Conj. A, B, C e D , Santa Maria-Brasilia - CEP: 72502-100 blhhrsm@gmail.com Santa Maria e entorno Sul.
  • Hospital Regional da Asa Norte (HRAN)abrir

    61-3325-4207 SMHN Quadra 101 Area Especial, s/n , 2º andar , Asa Norte-Brasilia - CEP: 70710-100 hranblh@gmail.com Asa Norte, Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Estrutural, SIA e Guará.
  • Hospital Regional de Taguatinga (HRT)abrir

    61-3353-1122 61-3352-1252(Fax) Setor C - Area Especial Norte, 24 , Taguatinga-Brasilia - CEP: 72115-900 blhhrt@gmail.com Taguatinga Vicente Pires Aguas Claras Recanto das Emas.
  • Hospital Regional de Sobradinho (HRS)abrir

    61-3387-3993 61-3487-9332(Fax) Quadra 12 - Área Especial, s/n , Sobradinho-Brasilia - CEP: 73010-120 hrsblh@gmail.com Sobradinho I e II.
  • Hospital Universitário de Brasília (HUB)abrir

    61-2028-5585 61-2028-5391 L2Norte-QD, 604 , Asa Norte-Brasilia - CEP: 70840-901 blhhubb@gmail.com
  • Posto de Coleta de Samambaiaabrir

    61-3458-9811 Endereço: QS 614, conjunto C lote 1 e 2 samambaia norte CEP: 72322583 pclhhrsamdf@gmail.com Samambaia e Santo Antônio dos Descoberto.
  • Hospital Regional de Planaltina (HRP)abrir

    61-3388-9794 Avenida W/L4 Setor Setor Hospitalar, 00 , Planaltina-Brasilia - CEP: 73310-000 bancodeleitehrp@gmail.com Planaltina.
  • Hospital Regional de Brazlândia (HRBZ)abrir

    61-3479-9643 Área Especial, 06 , Setor Tradicional , Brazlândia-Brasilia - CEP: 72720-660 blhhrbz@gmail.com Brazlândia e Aguas Lindas de Góias.
  • Hospital Regional de Paranoá (HRPA)abrir

    61-3369-9981 Quadra 02 Conjunto K Lote 01 Área Especial Setor Hospitalar, 01 , Paranoá-Brasilia - CEP: 71571-510 blhhrpa@gmail.com Paranoá e Itapoã.
  • Hospital Regional do Gama (HRG)abrir

    61-3384-0337 Área Especial, 01 , Setor Central , Gama-Brasilia - CEP: 72405-901 nblhhrg@gmail.com Gama e entorno Sul.
  • Hospital Regional da Ceilândia (HRC)abrir

    160 61-3372-9652 61-3371-7550(Fax) Área Especial, 01 , QNM 17 , Ceilândia Sul-Brasilia - CEP: 72215-274 blhhrc@gmail.com Ceilândia.
  • Hospital Das Forças Armadas (HFA)abrir

    61-2107-5304 Estrada Parque Contorno do Bosque, s/n , Cruzeiro Novo-Brasilia - CEP: 70658-900
  • Posto de Coleta São Sebastiãoabrir

    61-3339-1125 Centro de Multiplas Atividades, 10 , São Sebastião-Brasília - CEP: 71691-047 pclhsaosebastiao@gmail.com São Sebastião e Jardim Botânico.

REDE DE BANCO
DE LEITE HUMANO

  • 15
    UNIDADES
  • 49
    UNIDADES
  • 28
    UNIDADES
  • 93
    UNIDADES
  • 32
    UNIDADES
BRASIL:
217 UNIDADES

Os 12 Bancos de Leite Humano Públicos do Distrito Federal fazem parte da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que conta com 217 unidades espalhadas por todo o país. No Brasil, a região que tem o maior número de BLH é a Sudeste. As unidades localizadas no DF representam mais da metade da cobertura total do Centro-Oeste e toda a da região Norte.

Quando o assunto é doação de leite humano, o Brasil não só é um protagonista reconhecido internacionalmente como também exporta tecnologia e conhecimento para arrecadação, armazenamento e processamento do leite materno para toda a Rede Ibero-americana de Bancos de Leite Humano.

Quem não quer aprender com o Brasil sobre os Bancos de Leite Humano está equivocado. Carmen Medina López
Hospital Universitario 12 de Octubre (Espanha)

DOAÇÃO
DE LEITE:

UM GESTO QUE MUDA VIDAS

Conheça as histórias de mães que estão
envolvidas com este ato de amor.

Tem leite para duas, três, quatro...

Mãe de um rapaz de 21 anos de idade, Miriam Silva, 44 anos, não esperava que após tanto tempo a vida lhe traria uma surpresa: uma nova gravidez, e ainda de gêmeos! Ela conta que a hora mais desesperadora era quando as duas bebês, Yasmin e Laís, hoje com quase dois meses de vida, começavam a chorar, ao mesmo tempo, querendo mamar.

"Eu não conseguia amamentar as duas ao mesmo tempo e não sabia qual atender primeiro. Eu chorava bastante com isso. Mas tive apoio do meu marido e das enfermeiras do Hospital Regional de Taguatinga", detalha Miriam Silva, ressaltando que hoje já consegue colocar as duas mamando ao mesmo tempo.

decidi doar, pois meus seios estavam sempre cheios, mesmo dando de mamar para a Yasmin e para a Laís Mirian Silva, 44 anos

A dificuldade inicial não foi motivo para Miriam deixar de alimentar as filhas com leite materno. E mais: ela ainda decidiu ajudar outras crianças a receber esse líquido tão importante para a saúde dos bebês.

"Enquanto eu estava internada, logo que as minhas filhas nasceram, via muitas crianças que precisavam de leite e as mães não conseguiam amamentar. Então, decidi doar, pois meus seios estavam sempre cheios, mesmo dando de mamar para a Yasmin e para a Laís", destaca.

Miriam Silva doou apenas enquanto esteve no HRT, mas na próxima consulta médica, já agendada, pretende sair da unidade com todo o kit para continuar doando. "É um ato de amor. Muitas mães não conseguem amamentar e, se pudermos, vamos ajudar", finaliza.

Mirian Silva com as gêmeas, Yasmin e Laís
Foto: Matheus Oliveira/SES-DF

Em benefício do próximo

O bebê Guilherme Maurício, de 1 ano e quatro meses, já come quase tudo, mas não abre mão do leite da mamãe Aline Borges. "Ele me vê e enxerga primeiro meus seios", brinca ela, frisando que pretende amamentar pelo menos até ele completar dois anos de idade. "Ele adoece pouco e, mesmo quando fica doente, logo se recupera. Acredito que seja por causa da amamentação", defende.

Consciente da importância deste alimento, Aline, que é servidora do ambulatório de pediatria do Hospital Regional de Taguatinga, doa o leite excedente para que outras crianças sejam tão beneficiadas quanto Guilherme.

"Todos os dias corro até o banco de leite e deixo, pelo menos, 100 ml. Muita gente fala que estou muito magrinha e, mesmo assim, continuo amamentando e ainda faço a doação. Mas não me importo, me sinto bem fazendo isso. É uma satisfação poder ajudar outras crianças", ressalta Aline, que pesa 47kg.

É uma satisfação poder ajudar
outras crianças
Aline Borges, doadora voluntária

Tão ciente da importância desse ato quanto Aline, Danielle Nunes também doa o leite excedente há quase três anos. Já chegou a ordenhar três litros por semana. "Hoje estou com menos leite e já começo a ficar triste por ver que não estou podendo ajudar tanto quanto antes. Mas sempre que tenho a oportunidade, tento incentivar outras mães a doar também", lamenta.

Danielle conta que, logo quando saiu da maternidade, via o leite vazando dos seios e pensava: "Quanto desperdício! Poderia estar alimentando tantas crianças". Foi com esse pensamento que ela buscou ajuda da equipe do Banco de Leite Humano em Taguatinga e passou a doar. "Nunca tive dificuldade para tirar o leite", destaca.

QUER DOAR TAMBÉM?
CADASTRE-SE

Generosidade de geração em geração

Há 27 anos, Maria do Socorro já entendia a importância de doar leite materno. Logo que sua primeira filha nasceu, ela procurou o Banco de Leite Humano do Hospital Regional de Ceilândia para deixar por lá o leite a mais que a pequena Débora Letícia não conseguia absorver.

Desde então, já foram nove filhos e, durante a amamentação de todos eles, Maria do Socorro nunca deixou de doar. "Sempre tive muito leite, chegava a dar mastite", conta ela - a mastite é um processo de inflamação das glândulas mamárias. "Eu não tinha coragem de tirar e jogar fora. Então, sempre procurei doar", completa.

A filha mais nova de Maria do Socorro, Valentina, tem apenas três meses de vida. Ela mama direitinho e ainda sobra para doação. "A quantidade que consigo retirar varia muito, mas já consegui tirar cerca de 1,2 litros numa semana", conta.

Eu não tinha coragem de tirar e jogar fora. Então, sempre procurei doar Maria do Socorro, doadora voluntária

Ela elogia a organização do serviço dos bancos de leite humano do DF. "Quando comecei a doar, era mais difícil. Hoje, facilitou bastante. Não preciso sair de casa para entregar o leite. Tiro a quantidade que consigo e os Bombeiros vêm buscar na minha casa", conta ela, que ainda tem outras três crianças em casa, uma de 10 anos, outra de 6 anos e uma terceira, de 3.

EXEMPLO - Duas filhas de Socorro também estão experimentando a maternidade. A mais velha, Débora Letícia, já tem três crianças, mas somente agora conseguiu fazer a doação. "Eu não tinha leite suficiente para doar, mas desta vez o fluxo aumentou. Sempre me senti na obrigação de fazer alguma coisa pelas crianças cujas mães não conseguiam amamentar", diz.

Ela conta que ter visto a mãe doar leite tantas vezes serviu de estímulo. "Ainda hoje, quando sentamos para conversar, peço dicas para ela, de como tirar o leite. Também ficamos uma perguntando à outra qual quantidade conseguiu tirar naquela semana", diz Débora, ressaltando que a irmã, Bárbara Xavier, grávida de seis meses, também já planeja colaborar com os bancos de leite.

Maria do Socorro em família: ensinando gerações a doar
Foto: Matheus Oliveira/SES-DF

Para Socorro, doar leite é, literalmente, doar vida. "Não acredito que exista leite fraco, como algumas pessoas dizem. Sempre é válido. E é um líquido precioso e gratuito. Para doar, basta dedicar um tempinho para higienizar e ordenhar. Assim, ajudamos a salvar muitas vidas", aconselha.

VEJA COMO É
FÁCIL DOAR

Doação em família

O pequeno Pedro Lira, hoje com 5 anos de idade, nasceu prematuro. Foi direto para a UTI neonatal. Respirava com ajuda de aparelhos. Por isso, precisava do leite materno no copinho e recebeu o alimento retirado da própria mãe, Jussara Lira, 34.

"Eu tinha muito leite, mas ele não podia mamar. No meio dessa situação, os seios empedrando, com aquele tanto de bebês na mesma situação que o meu filho, eu vi que precisava doar", conta Jussara, lembrando que a maioria das mães vê o leite secar diante do baque emocional de ver o filho na UTI. "Mas não aconteceu comigo", frisa.

Pedro nasceu em hospital particular e foi lá, incialmente, que Jussara começou a doar. "Mas pensei: se aqui, as mulheres com condições melhores, passam por isso, imagine na rede pública. Assim, procurei o Hospital Regional de Taguatinga e passei a ser doadora lá também", diz.

Com aquele tanto de bebês na mesma situação que o meu filho, eu vi que precisava doar. Jussara lira, 34 anos

Mesmo quando o filho se recuperou e passou a ser amamentado diretamente por ela, Jussara ainda continuou doando por mais três meses. Agora, mãe do segundo filho, João, de apenas um mês e meio de vida, ela está doando outra vez.

"Quando fazemos o bem, ele retorna para a gente. Nós, que fomos beneficiadas por Deus com uma criança que nos dá tanto amor, devemos retribuir isso e uma das maneiras é ajudar quem não consegue amamentar seus filhos. É um ato de amor", fala Jussara.

IRMÃS - Depois de ver a importância da doação de leite, com a experiência do sobrinho 21 dias na UTI, Renata Lira decidiu que também se tornaria uma doadora quando tivesse um filho. E assim, o fez.

Há 11 meses, quando Laura Coimbra nasceu, Renata retirava o leite excedente depois das mamadas da filha e entregava aos Bombeiros para que o alimento fosse aproveitado pelas crianças da UTI neonatal do HRT.

João, de um mês e meio, no colo de Jussara Lira,
doadora desde o nascimento do Pedro, Hoje com 5 anos.
Foto: Matheus Oliveira/SES-DF

"Na nossa família sempre esteve muito engajada em projetos sociais. Gostamos de ajudar o próximo. E doar leite é algo tão simples. Sempre me fez muito feliz", conta, destacando que doou o alimento por quatro meses. "Depois disso, Laura mamava tudo que eu produzia", frisa. Ela destaca que as orientações recebidas pela equipe do Banco de Leite Humano foram de extrema importância para reduzir a insegurança da mamãe de primeira viagem. "Depois que fiz meu cadastro, veio uma pessoa em minha casa deixar o kit para doação e me explicou como tudo deveria ser feito. A orientação fez a diferença", diz Renata.

Renata Lira amamenta a pequena Laura.
Sorriso no rosto por ajudar o próximo
Foto: Matheus Oliveira/SES-DF

"Não vou buscar leite, vou buscar vida"

O esforço e a dedicação do Corpo de Bombeiros na missão de salvar vidas são reconhecidos internacionalmente. Muitas histórias nos cinemas, nos livros e na televisão sobre atos heroicos de membros da corporação mostram a luta contra incêndios incontroláveis e o resgate de pessoas em situações de risco. Mas há muito mais do que isso no dia a dia deles.

Há 25 anos o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) desenvolve a coleta em domicílio e o transporte de leite humano no DF e entorno. A atividade do Programa de Aleitamento Materno (PAM) colabora com a redução da mortalidade infantil e é uma das bases para que a capital seja reconhecida como exemplo para todo o Brasil.

Agda Gomes é um dos 19 militares do CBMDF que fazem esse trabalho, que cobrem 100% das unidades do DF. Ela reconhece que cada visita que faz é uma experiência única. "Não vou buscar leite, vou buscar vida. Cada mãe que me recebe para doar, independentemente da situação financeira dela, está cheia de felicidade. Elas se sentem tão realizadas que nos recebem com um sorriso que não sei nem explicar", conta.

É gratificante saber que estou levando uma melhora para uma criança com o meu trabalho, com o leite que peguei Joselita Machado, bombeira

Há 18 anos coletando leite na casa de doadoras, Joselita Machado diz que atua com a mesma dedicação desde o primeiro dia. "Talvez mais, na verdade", corrige a bombeira, que se empolga a cada notícia de que um bebê pode sair da UTI em função do seu trabalho. "É gratificante saber que estou levando uma melhora para uma criança com o meu trabalho, com o leite que peguei", explica.

Pouco mais da metade dos bombeiros faz parte do programa há no máximo dois anos, e eles conseguem perceber também quais as dificuldades principais. Agda e Joselita, veteranas, contam como fazem para superar os obstáculos do dia a dia.

"Nossa maior dificuldade no desenvolvimento desse trabalho é a comunicação com as doadoras. Às vezes, para entrar num condomínio, utilizo meu telefone, para avisar que preciso entrar. Tem casa que não tem campainha, fica mais para o fundo, a pessoa não ouve... Vivo precisando ligar do meu telefone", revela Agda, que reconhece também os avanços: "Mas as coisas estão melhorando aos poucos. Antes, a gente não tinha nem carro, hoje já temos."

Grupo CBMDF realizando entrega de vidros
para coleta arrecadados em campanha própria
Foto: GPRAM

Realizando 2,5 mil visitas por mês, o CBMDF é um parceiro vital para o programa da Secretaria de Estado de Saúde do DF. "A sustentabilidade da coleta de leite humano só existe graças a essa parceria. A missão dos bombeiros é salvaguardar vidas. E eles abraçam muito a causa dessas crianças. A gente não se vê mais sem eles", avalia a médica Miriam Santos, coordenadora dos Bancos de Leite do Distrito Federal.

PARA DOAR
LIGUE 160, OPÇÃO 4

Bancos de leite precisam de mais doações

Em 2015, o Distrito Federal recebeu quase 10% do volume total de leite humano arrecadado no Brasil. Foram cerca de 16,5 mil litros de leite coletados. O DF, em números absolutos, foi o terceiro maior arrecadador do país no ano, ficando atrás somente dos estados de São Paulo e Paraná. Estes números refletem o trabalho que vem sendo feito na capital brasileira dos Bancos de Leite, mas camuflam uma realidade: O DF ainda está aquém da produção que precisa.

O Distrito Federal coleta uma média de 1,5 mil litros por mês, mas, segundo a coordenadora do Banco de Leite da Secretaria de Saúde, Miriam Santos, o ideal seriam 3 mil. Em 2014, foram coletados 300 litros a mais do que em 2013, mas, ainda assim, a baixa nos estoques preocupa, pois cada vez mais os bebês prematuros sobrevivem e ficam, pelo menos, quatro meses internados. Em média, dentro da rede pública, há 150 bebês por dia, tomando até 55 mililitros de leite.

A coleta de leite humano no DF nos últimos 10 anos

Ao longo dos anos, a média de arrecadação de leite do DF se mantém no mesmo patamar. Na última década, as maiores disparidades ocorreram em 2011 - menor marca do período, com 16,4 mil litros arrecadados - e 2008 - melhor resultado: 20,5 mil litros. Nestes 10 anos foi arrecadado um total de 181 mil litros, o que dá uma média anual de pouco mais de 18 mil litros.

Contexto nacional - Os níveis de coleta de Leite Humano estão estancados no país inteiro. No mesmo período, o Brasil coletou pouco mais de 1,6 milhão de litros de leite. Destaque para São Paulo, que nos últimos 10 anos arrecadou cerca de 430 mil litros de leite - cerca de 27% da produção nacional. Na segunda posição, o DF arrecadou pouco mais de 11%. Em terceiro, o estado do Paraná, com aproximadamente 10%.

Os três estados juntos concentram aproximadamente 1/3 de todos os Bancos de Leite Humano e Postos de Coleta existentes no Brasil. São Paulo conta com 57 BLHs e 35 PCs; o DF tem 15 BLHs e 3 PCs; o Paraná tem 10 BLHs e 12 PCs.

Dos 15 BLHs do DF, três são privados - Hospital Anchieta, Santa Lúcia e Maternidade de Brasília -, e os outros públicos. São eles: hospitais das Forças Armadas, da Asa Norte, da Asa Sul, de Brazlândia, de Ceilândia, do Gama, de Planaltina, do Paranoá, de Sobradinho, de Santa Maria, de Taguatinga e do Hospital Universitário de Brasília. Veja no site da Secretaria de Saúde outras informações sobre a coleta de leite em casa e os contatos das unidades para doação.

Para doar leite
- Cadastre-se no site

- Procurar qualquer um dos bancos de leite do DF ou os postos de coleta em São Sebastião, Samambaia e Hospital São Francisco (Ceilândia)

- Ligar para 160, opção 4 (Corpo de Bombeiros busca em domicílio)

Coordenadora do Programa de Aleitamento Materno e
dos bancos de leite humano da Secretaria de Saúde,
Mirian Santos, visita BLH no Hospital Regional de Taguatinga
Foto: Dênio Simões/Agência Brasília